Segunda-feira, Julho 13, 2009

(esta foto não foi minha, snif)

não, não fui eu
quem te ensinou a ser
assim
tão
...
 

Segunda-feira, Julho 06, 2009















Live and let die.

Ainda, ainda...
Descobre-se que não era preciso chorar,
(mas... eu não sabia!)
Era preciso enfrentar para crescer
era preciso perder, era preciso saber.
Hoje, já sei.
(mas ainda falta tanto...)
Falta entender por que precisamos de um tranco
Para crescer, para poder tudo
... amar, confiar, sentir e ter.

Yôga 10

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Por Marina Engler

Quarta-feira, Junho 17, 2009

O passarinho avoado
percorre o mundo sozinho
canta mudo quando parto
até que eu volte ao seu ninho

De manhã, ele adormece
voa lento ao entardecer
encantado, anoitece
canta até amanhecer

Voa livre, sem parar
e estufa seu penacho
para atrair o meu olhar...

Mas se procuro não o acho.
Como vou te encontrar
Se cantas sempre tão baixo?

Quarta-feira, Junho 10, 2009

Aquela velha vontade anda a me perseguir, novamente... a vontade de comer livros, cuspir palavras, chorar versos, parir poesia. A arte vai e vem, aparece e se esconde, conforme nossa própria capacidade para aceitá-la, vê-la em seu âmago: nua, sem glamour. Tímida, se revela aos olhos sensíveis e aos artistas que bem sabem: às vezes a arte dói. 

Domingo, Maio 24, 2009

O Haver

Vinicius de Moraes


Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo
- Perdoai-os! porque eles não têm culpa de ter nascido...

Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo
Essa mão que tateia antes de ter, esse medo
De ferir tocando, essa forte mão de homem
Cheia de mansidão para com tudo quanto existe. 

Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer exprimir o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.

Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento
Da matéria em repouso, essa angústia da simultaneidade
Do tempo, essa lenta decomposição poética
Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius.

Resta esse coração queimando como um círio
Numa catedral em ruínas, essa tristeza 
Diante do cotidiano; ou essa súbita alegria
Ao ouvir passos na noite que se perdem sem história. 

Resta essa vontade de chorar diante da beleza
Essa cólera em face da injustiça e o mal-entendido
Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa 
Piedade de si mesmo e de sua força inútil.

Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado
De pequenos absurdos, essa capacidade
De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil
E essa coragem para comprometer-se sem necessidade.

Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza
De quem sabe que tudo já foi como será no vir-a-ser
E ao mesmo tempo essa vontade de servir, essa 
Contemporaneidade com o amanhã dos que não tiveram ontem nem hoje.

Resta essa faculdade incoercível de sonhar
De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade 
De aceitá-la tal como é, e essa visão 
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante

E desnecessária presciência, e essa memória anterior
De mundos inexistentes, e esse heroísmo
Estático, e essa pequenina luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.

Resta esse desejo de sentir-se igual a todos
De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem memória
Resta essa pobreza intrínseca, essa vaidade
De não querer ser príncipe senão do seu reino.

Resta esse diálogo cotidiano com a morte, essa curiosidade
Pelo momento a vir, quando, apressada
Ela virá me entreabrir a porta como uma velha amante
Mas recuará em véus ao ver-me junto à bem-amada...

Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto
Esse eterno levantar-se depois de cada queda
Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo
Infantil de ter pequenas coragens.

15/04/1962





Quarta-feira, Maio 13, 2009

Trecho do livro "Eu me Lembro" - DeRose

OS DESCASAMENTOS 

 

Nosso povo festejava os casamentos e os descasamentos. 

Não havia motivo para mágoas quando terminava um ma- 

trimônio. Tínhamos bem incorporada a noção de que a pes- 

soa que compartilhou conosco a nossa casa e o nosso leito, 

uma vez descasada, tornava-se nossa irmã.  

Se não havia mais interesse de prosseguir juntos por incom- 

patibilidade de gênios ou qualquer outra razão, ambos pro- 

curavam compreender o outro e desfaziam os laços conju- 

gais. Mas como isso não representaria um rompimento nem 

um afastamento maior, não era causa de nenhum trauma, 

nem tristeza, nem agressividade.  

Para prestar uma satisfação aos amigos e consangüíneos, or- 

ganizava-se um outro tipo de festa, cujo objetivo maior era o 

de abraçar longamente cada um dos desnubentes, para que 

ele sentisse que não estava só e que toda a comunidade esta- 

va ali para ampará-lo e para preencher seus momentos de 

solidão. Era comum que os amigos, de ambos os sexos, se 

revezassem para fazer companhia e dormir com cada um 

dos descasados nos meses que se seguiam à separação. 

Não havendo sentimento de posse e com a possibilidade de 

o ex-marido continuar residindo nas proximidades da ex- 

mulher e filhos, as separações conjugais causavam muito 

pouco desgaste. O fato de o poder econômico estar centrali-

zado na mulher também facilitava as coisas, pois não havia 

partilha de patrimônio. Pertenciam ao homem suas ferra- 

mentas, armas e roupas. O restante era da mulher. 


Quinta-feira, Abril 23, 2009

Música...


MÚSICA... Que sei eu de  mim? 
Que sei eu  de haver ser ou estar? 
Música... sei só que sem fim 
Quero saber só de sonhar...

Música... Bem no que faz mal 
À alma entregar-se a nada... 
Mas quero ser animal 
Da insuficiência enganada

Música... Se eu pudesse ter, 
Não o que penso ou desejo, 
Mas o que não pude haver 
E que até nem em sonhos vejo,

Se também eu pudesse fruir 
Entre as algemas de aqui estar! 
Não faz mal.  Flui, 
Para que eu deixe de pensar!

Fernando Pessoa


Amar é tudo quanto há de bom na vida.

George Sand