não, não fui euSegunda-feira, Julho 13, 2009
Segunda-feira, Julho 06, 2009
Yôga 10
A agência SwáSthya! Comunicação lança a nova Campanha do Yôga 10.
A campanha anuncia um conceito inovador, com o qual pretende mostrar qual a cara do Yôga que é 10 para você, disponibilizando informações, dicas e pontos em comum entre você e o Yôga.
No Yôga 10 são contemplados 10 Universos: Estudante, Executivo, Surf, Filosofia, Música, Sustentabilidade, Vegetarianismo, Beauty & Health, Esportistas e Formação Profissional.
Acesse o site do Yôga 10 navegue pelo universo que tem mais a sua cara, descubra o Yôga que está dentro de você e comece agora a praticar. Agende uma aula experimental na Unidade mais próxima.
Por Marina Engler
Quarta-feira, Junho 17, 2009
Quarta-feira, Junho 10, 2009
Domingo, Maio 24, 2009
O Haver
Vinicius de Moraes
Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo
- Perdoai-os! porque eles não têm culpa de ter nascido...
Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo
Essa mão que tateia antes de ter, esse medo
De ferir tocando, essa forte mão de homem
Cheia de mansidão para com tudo quanto existe.
Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer exprimir o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.
Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento
Da matéria em repouso, essa angústia da simultaneidade
Do tempo, essa lenta decomposição poética
Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius.
Resta esse coração queimando como um círio
Numa catedral em ruínas, essa tristeza
Diante do cotidiano; ou essa súbita alegria
Ao ouvir passos na noite que se perdem sem história.
Resta essa vontade de chorar diante da beleza
Essa cólera em face da injustiça e o mal-entendido
Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa
Piedade de si mesmo e de sua força inútil.
Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado
De pequenos absurdos, essa capacidade
De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil
E essa coragem para comprometer-se sem necessidade.
Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza
De quem sabe que tudo já foi como será no vir-a-ser
E ao mesmo tempo essa vontade de servir, essa
Contemporaneidade com o amanhã dos que não tiveram ontem nem hoje.
Resta essa faculdade incoercível de sonhar
De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
De aceitá-la tal como é, e essa visão
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante
E desnecessária presciência, e essa memória anterior
De mundos inexistentes, e esse heroísmo
Estático, e essa pequenina luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.
Resta esse desejo de sentir-se igual a todos
De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem memória
Resta essa pobreza intrínseca, essa vaidade
De não querer ser príncipe senão do seu reino.
Resta esse diálogo cotidiano com a morte, essa curiosidade
Pelo momento a vir, quando, apressada
Ela virá me entreabrir a porta como uma velha amante
Mas recuará em véus ao ver-me junto à bem-amada...
Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto
Esse eterno levantar-se depois de cada queda
Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo
Infantil de ter pequenas coragens.
15/04/1962

Quarta-feira, Maio 13, 2009
Trecho do livro "Eu me Lembro" - DeRose

OS DESCASAMENTOS
Nosso povo festejava os casamentos e os descasamentos.
Não havia motivo para mágoas quando terminava um ma-
trimônio. Tínhamos bem incorporada a noção de que a pes-
soa que compartilhou conosco a nossa casa e o nosso leito,
uma vez descasada, tornava-se nossa irmã.
Se não havia mais interesse de prosseguir juntos por incom-
patibilidade de gênios ou qualquer outra razão, ambos pro-
curavam compreender o outro e desfaziam os laços conju-
gais. Mas como isso não representaria um rompimento nem
um afastamento maior, não era causa de nenhum trauma,
nem tristeza, nem agressividade.
Para prestar uma satisfação aos amigos e consangüíneos, or-
ganizava-se um outro tipo de festa, cujo objetivo maior era o
de abraçar longamente cada um dos desnubentes, para que
ele sentisse que não estava só e que toda a comunidade esta-
va ali para ampará-lo e para preencher seus momentos de
solidão. Era comum que os amigos, de ambos os sexos, se
revezassem para fazer companhia e dormir com cada um
dos descasados nos meses que se seguiam à separação.
Não havendo sentimento de posse e com a possibilidade de
o ex-marido continuar residindo nas proximidades da ex-
mulher e filhos, as separações conjugais causavam muito
pouco desgaste. O fato de o poder econômico estar centrali-
zado na mulher também facilitava as coisas, pois não havia
partilha de patrimônio. Pertenciam ao homem suas ferra-
mentas, armas e roupas. O restante era da mulher.
Quinta-feira, Abril 23, 2009
Música...
MÚSICA... Que sei eu de mim?
Que sei eu de haver ser ou estar?
Música... sei só que sem fim
Quero saber só de sonhar...
Música... Bem no que faz mal
À alma entregar-se a nada...
Mas quero ser animal
Da insuficiência enganada
Música... Se eu pudesse ter,
Não o que penso ou desejo,
Mas o que não pude haver
E que até nem em sonhos vejo,
Se também eu pudesse fruir
Entre as algemas de aqui estar!
Não faz mal. Flui,
Para que eu deixe de pensar!
Fernando Pessoa
Amar é tudo quanto há de bom na vida.
George Sand
